sábado, 18 de setembro de 2010

Partilhar na faculdade, será uma coisa boa?

Acho que já todos sabem que eu não consigo fazer grandes amizades na faculdade. O que ainda não sabem é porquê. Por isso, vou contar-vos.

Mas antes de começar, tenho de explicar primeiro que se há algo que o estudante universitário gosta mais do que de cerveja barata são apontamentos.

Já vi gente cometer atrocidades para os obter e o meu caso não era excepção. Eu tinha sempre uma colega em especial a quem cravava os apontamentos das aulas. Mesmo que eu assistisse às mesmas, os meus não eram de longe tão bons ou completos quanto os dela.

Deste modo quando se aproximou a primeira frequência de Antropologia, eu pedi à C. para ela me emprestar tudo o que tinha relacionado com a cadeira para eu fotocopiar, coisa que ela fez de bom grado. Inclusive até afirmou sonoramente que “Partilhar é o objectivo da vida universitária e que aquilo nunca seria uma competição…” A C. era uma mentirosa como mais à frente verão.

Quando foram publicados os resultados da dita frequência fomos ver as notas com mais duas amigas dela, constatamos que eu tinha tido 15 e ela 7

A C. ficou inconsolável.

Claro que naquela altura eu devia ter consolado a pobre infeliz e dizer-lhe que não era o fim do mundo, na próxima frequência ela recuperaria, mas…

Eu sou daquele género de pessoa maldosa que em vez de abraçar o perdedor me congratulo da vitória. Portanto a C quase que chorava e eu por mais que me esforçasse em disfarçar, ostentava aquela pose:

E eis que no mesmo instante a C. ainda quente com o resultado daquela nota medíocre decide ir perguntar ao professor o que se tinha passado e porque raio é que ela tinha tido um 7.
Chegamos à sala e ela desata a chorar convulsivamente enquanto explica a situação ao professor com o apoio das suas duas amigas.

O homem, possivelmente já familiarizado com situações de histerismo, procura a frequência dela dentro da mala com grande calma e começa a revê-la…

Quando eu presto atenção ao volume da frequência, constato que ela havia escrito umas 8 folhas com letra miudinha, fazendo um esforço de memória recordo-me que eu não havia chegado a completar 4.
E a C. Continuava:
- “Professor, por favor diga-me o que posso eu fazer para melhorar os meus resultados?”

O professor olha para ela com uma calma descomunal e responde:

- “Olhe, para a próxima traga uma caneta com menos tinta!”

Mal eu oiço aquilo, não consegui controlar e... Tive um ataque de riso.

Infelizmente ao contrário da imagem, fui a única, visto que as amigas da C. olhavam para mim com aquela cara que a minha mãe costuma ter quando eu faço algo extremamente incorrecto, já a C. parecia que ia lançar fogo pelas ventas…

Conclusão, a C. e as amigas deixaram de me emprestar seja o que for, aliás nunca mais me falaram.

Não sou uma injustiçada?

16 comentários:

Martinha disse...

O que aconteceu foi que a rapariga ficou magoada por te teres rido... Ficou ressentida.
Eu sinceramente sou apologista de que se partilhem apontamentos. Eu sempre partilhei os meus durante a licenciatura com os meus colegas que mos pediam, mas sempre sem deixar haver abusos. Ou seja, eu somente emprestava os apontamentos, não fazia as cadeiras por eles, como algumas vezes queriam.

Nesse ambiente, acho que é sempre saudável, e os meus colegas sempre valorizaram as ajudas que lhes dei. :)

Luh disse...

Se estivesse no lugar da C. : não tinha lata de ir tirar satisfações com o professor.

Se fosse uma das tuas amigas,dava-te uma cotovelada e arregalava os olhos.

Se estivesse no teu lugar,talvez não me desatasse a rir,mas mordia os lábios...se não controlasse,rapidamente daria a entender que o meu riso era irónico :"aahahah ooohh professooor...por favoooor"

Huum

Zaahirah disse...

Eu sou solidária com a C., porque na faculdade fiz a mesa figura de otária 500 vezes (tirando a parte do chilique em público e da conversa com o prof... ia chorar para casa. Ah e tb nunca tinha menos de 15).

Depois tornei-me uma cabra sínica e deixei de emprestar o que quer que fosse. Eu continuei a ter os 15, mas mais ninguém teve 17 à minha custa. Foi um acto extremamente justo! :D

Miss Murder disse...

Margarida: Eu sempre emprestei tudo o que tenho. Não compreendo aquela doença pelos apontamentos... Possivelmente após eu tirar melhor nota do que ela com os apontamentos dela, ela não mos emprestaria mais e não.

Luh: A situação era caricata, porque parecia um enterro, sei lá. Era apenas uma nota, eu só conseguia pensar " people have real problems!".

A rapariga estava a fazer daquilo um drama danado quando ainda tinha umas 4 possibilidades de melhorar aquela nota.
E para que fique claro eu também me esforcei para não rir, mas não consegui!

Miss Murder disse...

Zaahirah: Eu nunca chorei por uma nota.
Aliás a única vez que chorei na faculdade foi quando uma cabeleireira artista meteu as mãos no meu cabelo e me desgraçou LITERALMENTE.
E eu tive de me apresentar com aquilo no dia seguinte e toda a gente me perguntava "o que me tinha acontecido" e " o que me tinha passado pela cabeça"
E eu respondia " bem a uns da-lhes por cima e a outros da-lhes por baixo"
E depois agarrava na minha melhor amiga e ia chorar para a casa de banho.

Não que o cabelo seja um motivo válido para chorar, agora... uma nota?

Caia disse...

Na faculdade foi o sítio onde menos amizades fiz, era cada um por si!

Jo disse...

es, es uma cabra freak porque tens cadeiras como.. antropologia.

Miss Murder disse...

Oh Jo... I love it when you call me Bitch! xD

Sabor Adocicado* disse...

eu compreendo a C. mas não acho que seja motivo para ela se chatear com uma pessoa.

a minha melhor amiga também fazia o mesmo comigo.. em matemática eu a queixar-me do teste que me correu mal, ou da nota que foi baixinha e me arruinou a média e ela n se dignava a dizer "pronto.. n e o fim do mundo, pa proxima corre melhor". Nunca! Limitava-se a dizer "a mim correu-me super bem. Tiro pelo menos 18 de certeza." Sorriso nos lábios e caga para a as minhas queixas (que tinham fundamento uma vez que no 12º ano se decide o rumo da nossa vida). Moral da história: Não gostava, sentia-me magoada, irritada, triste. Mas continuamos amigas durante muito tempo.

Catarina disse...

Bem, tenho pena da C. mas não faria o que ela fez à beira do professor. Contudo, se estivesse no teu lugar talvez também ficasse contente e essa felicidade se destacasse da tristeza dela. Contudo, deve ter ficado mesmo magoada com a tua rizada, o que é compreensível! xD

The Supreme Ruler of The Whole Damn Universe disse...

So há uma coisa a dizer à tal C: Better luck next time!!

Ou então, um muito sádico "Estudasses!!"

Mas falando a serio, empresto os meus apontamentos e livro-me da tralha no inicio de cada ano para os mais novos aproveitarem o trabalho já feito.

Tiras-te melhor nota que ela? Por alguma razão foi e culpa tua não foi. Esquece o assunto... A C. que aprenda a lidar com os imprevistos e desafios da vida.

The Supreme Ruler of The Whole Damn Universe disse...

Ahh esqueci-me do tal episodio do riso..

Bem, custa ver alguem a rir da nossa tristeza embora essa da "caneta com menos tinta" seja brutal!!!

Tal como alguem disse, morder o lábio ajudava mas pronto... Aconteceu. Next, que venha a proxima crise eheh

Miss Murder disse...

The Supreme Ruler of The Whole Damn Universe: Essa de morder o lábio é bonita, porque vocês não me conhecem xD

Quando tenho um ataque de riso, não paro, independentemente do que tente, não dá mesmo!

Haja alguém que ache que a da caneta com menos tinta foi brilhante ^^
Porque foi!

-Joana disse...

Bem, na minha escola, no básico aconteceu algo assim. Vai-se a ver e não tem nada a ver, mas pronto...
Durante o teste, a R. deixou o R. e o F. copiarem. Depois, eles tiraram bastante e ela plenamente... xD

Cris disse...

Se tu te risses de mim, numa situação dessas (eu também me ria), tirava-te um olho fora. lol
Realmente, a atitude dela foi mesmo exagerada. -.-'
Mas quanto a teres sido injustiçada... Hum! :'D

Miss Murder disse...

Gente, eu copiei a minha melhor amiga a vida toda, houve vezes em que tinha melhor nota do que ela, e ela ficava verdadeiramente feliz.

Mas tb por algum motivo ela é a minha melhor amiga, porque é mesmo a melhor pessoa que eu conheço, e eu conheço muita gente...